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ENTREVISTA COM W NEGRO
Por Redação Alvo


W Negro

W Negro é rapper, músico, produtor e acumula várias funções frente a Alvo Associação Cultural na qual também é coordenador financeiro e articulador cultural. Na estrada do hip hop desde 1998, no samba desde 1997 vem desde 2005 construindo seu espaço na cena musical gaúcha levando o rap ao mais alto nível, sem copiar estilos, cria músicas misturando ritmos e timbres com letras que falam de liberdade, transcendência, afirmam a negritude e resgatam valores esquecidos nesta sociedade cada vez mais individual e fria.
W Negro vem do mesmo lugar da maioria dos jovens negros periféricos do nosso Brasil, porém através da música vem reclamar seus direitos e alertar os irmãos de qualquer classe social que existe um mundo de esperança diante as dificuldades, dos obstáculos diários da nossa vida, que ainda existe amor apesar de tudo. W é guerreiro da música, militante da paz, do hip hop da diversidade cultural e das novas propostas de construção de uma sociedade socialmente mais justa.
Em 2010 é um ano que marca sua carreira com o disco “Portal Dos Anjos”, seu segundo cd, vem consolidar um trabalho que iniciou em 2008 produzindo no estúdio da EB Produtora na zona leste de Porto Alegre, mais musical do que nunca, com participações especiais, inclusive Luis Machado, mestre do chorinho brasileiro. O disco tem forte influência da MPB, black music, R&B, samba mas sem perder a essência do rap, sua alma. Confira uma pequena entrevista com W Negro e aproveite para conferir o videoclipe da música “Sei Que é Pra Sorrir”:

Como foi lançar seu primeiro disco, Manifesto em 2006, o que mudou?
O projeto Manifesto foi um marco na cultura Hip Hop gaúcha, pois foi o passo inicial da minha carreira como músico profissional. O projeto teve até um reconhecimento nacional recebi convites para os festivais como Hútuz no Rio, Congresso Nacional da UNE em SP. E vários shows em nosso estado, foi contemplado e reconhecido no prêmio Lança de Ouro do eixo sul e abriu portas que refletem até hoje no meu trabalho como rapper e músico.

Em 2009 você fez poucos shows?
Não foram poucos shows, foram shows com muita qualidade, verdadeiros espetáculos, como na UNE em SP que toquei para 5 mil pessoas reunidas. No Fórum Social Mundial, na PUC, Lança de Ouro 2009, Lançamento da Coletânea Hip Hop de Porto Alegre, Semana Municipal de Hip Hop. O objetivo é valorizar o nosso trabalho e a nossa cultura qualificando os nossos espetáculos, se forem poucos pelo menos que sejam de ótima qualidade.

Falando no disco “Hip Hop Porto Alegre”, como foi lançar esse disco?
A coletânea veio qualificar e profissionalizar os atores atuantes do rap, houve uma necessidade deste projeto estar circulando pois há uma grande demanda de artistas sem registro fonográfico e com uma grande fonte de criatividade e cultura. Esse projeto vem ampliar o nicho local e nacional e mostra o objetivo da Alvo como gestora cultural oportunizando outros artistas do hip hop. O disco ainda está sendo lançado e trabalhado principalmente nas lojas de disco do RS e em breve em SP, inaugurando uma nova fase da Alvo também como distribuidora.


Disco Portal Dos Anjos

Fale um pouco do projeto Portal dos Anjos.
O projeto Portal dos Anjos é a minha concretização musical, é um marco divisório de águas na minha carreira, é um cd verdadeiramente profissional, onde inúmeros artistas, músicos, fotógrafo, designers, técnicos e engenheiros musicais estão nesse disco sólido e concreto. Com financiamento do Fumproarte e Alvo Associação Cultural não é só um cd de rap é um conjunto de musicalidade onde agrega a MPB em geral. Como a grande parceria de Ymbiá Guarani, a ilustre participação do professor Luis Machado, Daniel do Cavaco, Rapper Nitro Di, Robert Ross, Koyadê, André Prado, Andressa Fernandes, Dj maloka, João Costa do Produto Nacional, Isnar Prates baixista do Produtos Nacional, Peralta, Guiljhereme 7 Cordas, DMC, Vide Brasa, Rafael Vox, ferrão do bandolim, Xaropinho na percussão, Marcelo “Nego Lindo”, J. Fidélix, Baixista Júnior e Baby Boy. Com produção geral de Marcus Fucs Ojeda (Mascote) da EB produtora, Edinho Dekebrada e Jorge Squad da Nukleo Produções com distribuição regional da Alvo Associação Cultural e nacional em parceria com a Tratore. Este projeto vai ser uma transcendência histórica para nossa cultura, para Alvo e para as mais de trinta pessoas que fazem parte deste momento histórico do hop hop.

Seu disco teve a mão da YB Music, um dos principais estúdios e gravadoras do Brasil, como foi esse processo?
O disco foi masterizado em São Paulo pelo engenheiro Carlos Lima da YB Produtora e estúdio, o mesmo de Titãs, Charlei Brown Jr., Sabotage, Racionais Mc’s e diversos outros importantes artistas brasileiros passaram pelas mãos de Carlos Lima que teve a sensibilidade de deixar o disco com a qualidade necessária para os ouvidos mais exigentes. Foi uma experiência muito rica onde tive contato com os equipamentos de ponta para produção e finalização de músicas.

Mais um disco independente nas ruas, fale um pouco sobre esse cenário?
A música independente vem criando cada vez mais novos adeptos com relação à contemporaneidade da música atual, inúmeros artistas estão despontando no cenário nacional da MPB, referente a sua liberdade profissional e criativa, pois o músico independente vem quebrando barreiras contra o atual modelo de indústria fonográfica, o monopólio musical. Ser independente é ter desprendimento mas ao mesmo tempo ter de ser muito mais concentrado e profissional. Você tem que ser produtor executivo, agendar estúdio, formar parcerias, convidar músicos, agenda transporte, estúdio fotográfico, acompanhar a edição das músicas, a mixagem, a masterização, na produção da arte e participar de reuniões com parceiros, nas rádios, sites e casas de shows, montar uma verdadeira rede de pessoas que possam ajudar a divulgar o seu produto em várias cidades. Você tem que estar 100% focado no objetivo, você se torna um verdadeiro produtor fonográfico, ser independente é trabalhar dobrado para o seu objetivo se concretizar, não é só ser contra-cultura, quebrar barreiras do monopólio e dos jabás já constituídos no Brasil. Por isso coloquei no meu disco “a independência é a porta para liberdade”, só através da independência conquistaremos a liberdade em muitos aspectos.


W Negro com novo trabalho e em nova fase.

O que podemos esperar então para este ano?
Para este ano W vem para despontar no cenário nacional, com o projeto Portal dos Anjos estamos lançando não só um cd, que tem participações mais que especiais, já estamos lançando o primeiro videoclipe do disco, queremos lançar o disco oficialmente em Porto Alegre, São Paulo e no Rio.

Um recado?
Nunca desista do seu sonho independente do seu tamanho, não tenha medo do desconhecido, não tenha medo de se aventurar, pois os grandes aventureiros são os que geralmente escrevem a história. Dê cada passo com o máximo de firmeza e responsabilidade.

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VÍDEO DA MÚSICA SEI QUE É PRA SORRIR:

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